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sábado, 1 de abril de 2017

Alien - o oitavo passageiro (1979)


Eu lembrava de ter visto Alien quando era criança. Não sei dizer se foi uma dessas coisas de filme pego na locadora (velho!) ou um dia passou na TV (se não é Netflix, velho do mesmo jeito!).

Um dia estava passando, estava lá e me chamou a atenção. Sentei e vi, sabe como é, espaço, aliens, assuntos que interessam a qualquer um (sim, a qualquer um, ok?). Não guardei nada da história em si ou de qualquer outro detalhe do filme como um filme. Na memória ficou só "a experiência". Lembro de ter visto, lembro do sentimento de medo, de suspense e de nojo do líquido que saia da cabeça do andróide.

Esses dias vi o filme novamente como curiosidade, por ser um desses filmes que sempre está em lista de melhores filmes de todos os tempos e por eu achar que gastar meu tempo nesse planeta aprendendo sobre o mundo das histórias de mentira registradas em filme (cinema) é algo bom, justo e etc. Além disso, é sempre legal revisitar e conhecer com a cabeça (enorme) de hoje algo que eu só conhecia com a cabeça de criança (que já era enorme e ainda era orelhuda).



Colocando de forma simples, Alien - o oitavo passageiro é um filme de suspense com elementos de terror e ficção científica que fala de sobrevivência diante de algo desconhecido. É um filme lançado em 1979 que se passa em futuro não muito distante e a maior parte da história se passa em uma nave mineradora, no espaço.

O diretor é o Ridley Scott, que pra mim é um diretor que consegue executar muito bem conceitos técnicos de cinema, tipo direção de arte, iluminação, posicionamento de câmera, atuação e etc, mas é um diretor que depende de um bom roteiro para fazer um filme que seja legal de assistir. Alguns filmes dele são simplesmente chatos e desinteressantes, apesar de serem visualmente legais. Pra mim, execução técnica em si sem a "contação de história", não funciona. Engraçado como se for o contrário, pelo menos pra mim, funciona.

Mas, falando desse filme em especial, o bom roteiro está lá e aí a combinação desse roteiro com a técnica do Sr. Scott cria algo que tem muita força. Inclusive, lembrando de cabeça dos filmes dele que assisti, eu diria que esse é possivelmente um dos melhores trabalhos dele, ao lado de "Falcão Negro em perigo" (Black Hawk Down), nesta minha opinião (cabeçuda).



Gostei de como a construção da história ajuda a criar o clima de suspense apresentando elementos novos de pouco em pouco, aumentando o tamanho do mundo onde está a história e as possibilidades desse mundo. Primeiro tem uma linha de história da tripulação, depois do mistério deles terem acordado por um certo motivo, e aí eles explorando o motivo e aí consequências e aí sobrevivência. É como se o filme tivesse esses pequenos momentos que mudam o jogo, dificultando na cabeça da pessoa que está assistindo criar a sensação de segurança a respeito de até onde o filme vai e isso é algo muito legal na hora de se construir um suspense.

Fazendo uma analogia com games, acho que o melhor exemplo que consigo pensar, inclusive ironicamente ou não é um jogo que foi muito inspirado por esse filme, seria Super Metroid do SNES, que a cada nova área descoberta o mundo vai se expandindo e você vai mudando sua experiência do jogo e o quão distante você chega da pessoa que você era quando o jogo começou. Tenho inclusive que escrever sobre Super Metroid depois, esse jogo merece.

Outro recurso legal do roteiro do filme (que esqueci de dizer que é dos senhores Dan O'Bannon e Ronald Shusett) é que a medida que a história avança, não fica bem definido quem é o personagem principal. O filme até tenta dar indicações aqui e ali, mas a medida que as pessoas vão morrendo, essa noção de "esse é o herói, o personagem principal e portanto ele vai se salvar, não importa o que estiver acontecendo na tela" vai se desfazendo. Hoje esse efeito se perde um pouco já que a série Alien é famosa e mesmo que você nunca tenha visto os filmes é possível que saiba quem é o personagem que vai se salvar. Ainda assim, é muito legal ver como isso se desenvolve no filme e como nesse filme em especial isso é inesperado.



Esteticamente, acho legal a pegada de um futuro meio cyber punk com uma tecnologia que visualmente parece ultrapassada pro nossos padrões, mas que ao mesmo tempo consegue convencer que se trata de uma tecnologia avançada e robusta para aguentar o espaço.

O mundo em volta da história pareceu também interessante, inclusive ele não é exatamente explicado, ele só é descrito de forma simples aqui e ali nos diálogos dos personagens. Ainda que seja assim algo mais indireto e menos explicativo podemos ver um futuro distópico onde as grandes corporações mandam em tudo. Existe bem claro a ideia de que a empresa que contratou os personagens não é confiável e não se importa de forma nenhuma com eles, chegando inclusive a ter coisas como "se vocês não fizerem essa coisa aqui que tem risco de morte pra vocês, ninguém recebe salário quando voltarem pra Terra, conforme o contrato que vocês assinaram quando aceitaram o trabalho".



Não apenas para obras artísticas de entretenimento, é sempre curioso quando olhar pra algo do passado nos permite ver ideias, conceitos e realizações que existem hoje de alguma forma e que podem ter tido sua origem ali, em uma obra específica.

Junto com isso, quando vemos essas ideias nessa forma mais primária dá pra perceber um contexto e todo um conjunto de ideias que não necessariamente foi carregado pra tudo o que foi influenciado porque aquela obra.

Em outras palavras, é como se, de todas as ideias que estavam lá, apenas algumas delas tivessem sido escolhidas para serem desenvolvidas e carregadas para o futuro. Aí, quando olhamos pra essas obras do passado que tiveram grandes influências, podemos identificar os conceitos que conhecemos, mas vemos também muito mais, inclusive vemos coisas que conferem àquela obra antiga um caráter novo, um tom atualizado, capaz de gerar inspirações que não surgiram na época.

Engraçado como o mesmo vale pra eventos históricos, livros e jogos de video game.

Se você ainda não viu este filme e gosta de histórias de suspense, veja e serás feliz. Inclusive, se você é um mentiroso funcional (escritor), vale em especial apenas para ver essa maneira de avançar com a história mudando as regras do jogo, que comentei. Por mais que o filme tenha aqui e ali um problema de ritmo ou de efeitos especiais ultrapassados, ele sobrevive muito bem aos anos, mesmo sendo uma história que você já conhece sendo contada de um jeito que você provavelmente vai sentir que já viu.

Algo velho nem sempre é algo velho.

sábado, 25 de março de 2017

Revisitando The Legend of Zelda: Twilight Princess



A primeira vez que joguei Twilight princess foi no Wii, quase um ano depois do lançamento.

Lembro da empolgação com as possibilidades do que o Wii poderia trazer com o controle de movimento e lembro de ter gostado muito do jogo, apesar de não ter conseguido aproveitar tanto dele porque eu como pessoa (cabeçuda), na época, estava com a cabeça mais bagunçada do que gostaria de estar. Por estar assim intranquilo das ideias, lembro que jogava por muitas horas direto, tipo escapismo, tipo virar a noite jogando. Aí, por ter devorado o jogo assim, algumas coisas acabaram se perdendo no caminho e parte das coisas do jogo ficaram amortecidas.

Ainda assim, ficaram comigo alguns momentos de algumas dungeons, alguns momentos da história e principalmente a trilha sonora.

Anos depois, revisitei o jogo, agora no Wii U, no remake em HD e a primeira impressão que tive é que eu simplesmente não lembrava de como esse jogo era bom. Lembrava de ser bom, mas não tão bom.



Hoje em dia, dentro da minha rotina de gente grande que só cabe 1 hora de videogame por dia, além de ter dado pra aproveitar cada momento do jogo muito melhor, nas 64 horas que levei pra zerar o jogo dessa segunda vez, fiquei impressionado por não lembrar como o mundo era grande e detalhado pra época. Isso sem falar nas dungeons, que estão facilmente entre as melhores da série.



Existe por aí um sabedoria do entretenimento que diz que pra criar ago que vai mesmo ficar registrado na cabeça das pessoas é preciso saber combinar o que elas querem com o que elas não sabem que querem. Se for entregue apenas o que as pessoas esperam, apesar de se ter um retorno, aquele produto tende a ter um impacto muito menor. As pessoas precisam ser surpreendidas.

Existe também aquela história do tempo certo para as coisas. Um bom livro, um bom jogo, até um bom conselho, pode ser muito menos valorizado apenas porque não é a hora certa.

Digo isso não porque sou velho, gordo e chato, mas porque porque Twlight Princess é um dos zeldas que menos recebe reconhecimento e acho que muito disso tem a ver com o momento em que o jogo foi lançado. Acho muita gente ainda lembra dele como sendo o jogo que veio depois do Wind Waker, como o jogo que fugiu do design cartoon e que voltou pra algo mais próximo dos zeldas do Nintendo 64, seguindo o pedido em coro dos gamers da época.



Twlight Princess saiu no final da vida do GameCube, um console que colocou a Nintendo em uma posição menor no mundo dos games e de certa forma eles criarem um jogo que atendia diretamente o que os fãs da época tanto queriam teve seu impacto positivo e negativo. O jogo vendeu. O jogo ajudou a pavimentar o caminho do Wii, sendo um dos jogos de lançamento do console e tudo mais, mas por ser assim algo tão entregue como encomendado, acredito ser por isso que muita gente não apreciou tanto o jogo.

Além disso é bastante injusto ignorar as coisas únicas que o jogo tem. Existe um certo charme e uma elegância em certas soluções que o jogo trás, nos diálogos, nos personagens com personalidade ou, como, por exemplo, trazer de novo a vidente (que existia no zelda do super nes) e usando ela para ajudar o jogador não apenas a avançar na história, mas a achar peças de coração. Esse zelda inclusive foi o único da série que aumentou a quantidade de peças de coração necessárias para formar 1 novo coração, aqui são 5, o que quer dizer que tem mais motivos pra você explorar cavernas, ajudar desconhecidos e andar pelo mundo.



Antes de jogar Twlight Princess os dois últimos zeldas que joguei foram o Minish Cap para GBA e o Skyward Sword, dos quais inclusive quero falar depois em textos separados. Devo dizer que nenhum desses dois conseguiu causar em mim o que os jogos da série zelda costumavam causar. Os dois são bons jogos, inclusive o Minish Cap muito melhor que o Skyward sword, mas eles foram pra mim pontos abaixo da curva da série. Jogar novamente o Twilight Princess me lembrou porque eu gosto tanto dos jogos da série Zelda.

É curioso como alguns dos momentos que eu lembrava de serem super legais, jogando no wii U, sem o wiimote como era no Wii a experiência não foi tão divertida. Ao mesmo tempo, momentos que eu tinha registrado na memória por serem passagens tipo "uau, que legal!" aconteceram de novo e registraram de novo. A primeira vez que você pode correr feito maluco com o cavalo pelo mundo, só pra citar um exemplo, ainda é muito empolgante.

Como disse, da outra vez que joguei uma das coisas que mais tinha gostado era a trilha sonora. Hoje, posso dizer,  depois de ter jogado os outros zeldas mais recentemente que esse jogo tem provalmente a melhor sonora dos zeldas até hoje, pondo registrado que ainda não joguei o Breath of the Wild (ah!!!!! ainda não! ahh!).



Antes de concluir acho importante falar sobre como existe algumas vezes em alguns jogos um senso de escala, de mundo aberto, de tudo que pode ser feito, de busca por realismo que deixa tudo tão grande e tão imenso que o que deveria ser divertido acaba sendo o oposto. Pra mim, existe uma questão muito importante em se conseguir balancear o quanto do mundo do real se quer realmente recriar, em termos de escala do mundo, da quantidade de cidades e de possibilidades dentro daquele mundo. A maioria dos jogos é uma experiência que não é feita pra que o jogador fique a vida toda ali e sim um experiência que sirva pra contar uma história, que sirva para passar uma ideia. Por isso jogos antigos fizeram sucesso e por isso sobrevivem até hoje. Twilight Princess, se comparado a jogos modernos, tem muitas dessas simplificações, ainda mais nesse mundo pós GTA, pós Skyrim e tudo mais, mas em sua escolha de simplicidade a experiência que ele se propõe a contar funciona muito bem.

Resumindo, foi uma experiência bastante positiva. Recomendado, com certeza.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A sátira que é GTA V



Muito legal a análise que o vídeo faz, os exemplos que ele usa e como deixa bem claro que os caras por trás do GTA tem plena noção do que estão fazendo e criticando. Se é que ainda restava alguma dúvida XD

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aranha pavão

Eis o ritual de acasalamento da aranha pavão. Se quiser ver mais, esses vídeos vieram do canal PeacockSpiderman e tem um monte de outros vídeos legais por lá.

Ah, e se durante os vídeos você imaginar uma voz dizendo "Aqui! Olha pra mim! veja como eu dança! Veja esses movimentos! Você quer um pouco disso! Veja como eu sexy! Veja!", bom, saiba que não foi só você.






domingo, 27 de novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016

Animais fantásticos e onde eles habitam


Quando ouvi falar sobre "Animais fantásticos e onde eles habitam" não fiquei muito empolgado. Não gostei de saber que não seria baseado em um livro. Gostei menos ainda quando veio a notícia de que não seria mais 1 filme e sim 3 filmes e depois que não seriam 3 e sim 5 filmes. Sim, 5!

É foda ver como, mais do que qualquer outra época que consigo me lembrar, existe hoje uma busca por extrair o máximo de toda e qualquer franquia do mundo do entretenimento.

A ideia que parece dominar as cabeças de quem tem toma as decisões não é estimular novas criações e sim dividir capítulos finais (ou até iniciais e do meio), criar coisas que se apoiem em outras que tiveram algum sucesso financeiro, fazendo mil referências, rebootando franquias, mas mantendo elas amarradas aos originais, criando uma camada de parasitas pendurados em torno de qualquer ideia que tenha dado lucro.

O objetivo é lucro, o objetivo não é ideia. O objetivo é ganhar dinheiro, não é contar histórias que passem mensagens ou que simplesmente façam as pessoas se sentirem melhor. Paga, aí! Paga agora! Jornada do herói de novo, goela abaixo! Copia a ideia do outro filme que eles vão gostar! Chama os atores de novo pra gravarmos uma piadinhas! Paga de novo! Vai!

Fica tudo tão amarrado e tão dependente que a porta pra que esses projetos paralelos consigam ser mais que parasitas fica muito pequena. Acaba não sendo surpresa que tão poucos consigam se salvar.

Ainda assim, fui ao cinema. Fui sem ter visto nenhum trailer, estava lá porque sabia que o roteiro era da J. K. Rowling e porque sabia que esse era um universo que valeria a pena revisitar, mesmo que o filme fosse ruim, vendido, nesse esquema de sub produto parasita da fórmula da cópia. Mesmo que não fosse um filme pra mim.

Pra minha surpresa, não precisei nem de quinze minutos pra saber qual seria minha opinião sobre o filme. Vendo os atores, o roteiro, a cara do filme em si, estava tudo lá. Bastou ver aqueles quinze minutos iniciais pra me dar conta de como meus medos estavam errados, pra me sentir encher de alegria por ver que só tinham passado quinze minutos e eu tinha ainda mais duas horas de filme. Melhor que isso, tinha este e ainda mais 4 filmes. A magia estava de volta!


Colocando bem claro, o filme é muito bom. Ele não é perfeito, mas está tudo lá, tudo no lugar certo. Se você gosta do universo de Harry Potter, leu os livros, viu os filmes, jogou os jogos e ou só fez um desses, você pode se levantar agora e dançar em volta do seu computador. Comemore, sério, vai e dança que eu espero!

É novo, é diferente, mas é familiar. É um mundo da magia fora do ambiente da escola, com personagens adultos, permitindo novos problemas, novos nuances, expandindo o mundo. Essa mudança de tom dá liberdade pra que esses filmes sejam outra coisa, pra que sejam a própria coisa. É o mesmo mundo, são as mesmas regras, mas, me repetindo sem qualquer vergonha, é diferente. Não é um parasita e ainda tem toda a pegada de primeiro capítulo, introduzindo personagens, abrindo e fechando conflitos, criando um problema que é proporcional ao início de uma nova jornada.

Seja você um fã da série, um fã de J. K. Rowling ou só uma pessoa buscando um filme de aventura divertido, assista tranquilo. Recomendadíssimo. Vale o seu tempo.

Sem querer ser um reclamão, apenas por que gosto dos livros dela, não consigo não achar uma pena não termos um livro com essa história, sabe? Um livro mesmo, daqueles bem escritos, com páginas e páginas de imersão como a dona Rowling sabe escrever. De qualquer forma, fico muito contente com o que foi entregue aqui.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sobre a história dos video games no Brasil



O vídeo acima é o episódio 1 de um documentário em 3 partes produzido pela Red Bull, falando sobre a história dos games no Brasil (como deu pra adivinhar pelo título XD).

As 3 partes juntas duram uns 30 minutos e se você gosta de video games ou tecnologia, vale o seu tempo.

Pra ver os episódios 2 e 3, ou só saber mais clique aqui.