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domingo, 20 de novembro de 2016

Animais fantásticos e onde eles habitam


Quando ouvi falar sobre "Animais fantásticos e onde eles habitam" não fiquei muito empolgado. Não gostei de saber que não seria baseado em um livro. Gostei menos ainda quando veio a notícia de que não seria mais 1 filme e sim 3 filmes e depois que não seriam 3 e sim 5 filmes. Sim, 5!

É foda ver como, mais do que qualquer outra época que consigo me lembrar, existe hoje uma busca por extrair o máximo de toda e qualquer franquia do mundo do entretenimento.

A ideia que parece dominar as cabeças de quem tem toma as decisões não é estimular novas criações e sim dividir capítulos finais (ou até iniciais e do meio), criar coisas que se apoiem em outras que tiveram algum sucesso financeiro, fazendo mil referências, rebootando franquias, mas mantendo elas amarradas aos originais, criando uma camada de parasitas pendurados em torno de qualquer ideia que tenha dado lucro.

O objetivo é lucro, o objetivo não é ideia. O objetivo é ganhar dinheiro, não é contar histórias que passem mensagens ou que simplesmente façam as pessoas se sentirem melhor. Paga, aí! Paga agora! Jornada do herói de novo, goela abaixo! Copia a ideia do outro filme que eles vão gostar! Chama os atores de novo pra gravarmos uma piadinhas! Paga de novo! Vai!

Fica tudo tão amarrado e tão dependente que a porta pra que esses projetos paralelos consigam ser mais que parasitas fica muito pequena. Acaba não sendo surpresa que tão poucos consigam se salvar.

Ainda assim, fui ao cinema. Fui sem ter visto nenhum trailer, estava lá porque sabia que o roteiro era da J. K. Rowling e porque sabia que esse era um universo que valeria a pena revisitar, mesmo que o filme fosse ruim, vendido, nesse esquema de sub produto parasita da fórmula da cópia. Mesmo que não fosse um filme pra mim.

Pra minha surpresa, não precisei nem de quinze minutos pra saber qual seria minha opinião sobre o filme. Vendo os atores, o roteiro, a cara do filme em si, estava tudo lá. Bastou ver aqueles quinze minutos iniciais pra me dar conta de como meus medos estavam errados, pra me sentir encher de alegria por ver que só tinham passado quinze minutos e eu tinha ainda mais duas horas de filme. Melhor que isso, tinha este e ainda mais 4 filmes. A magia estava de volta!


Colocando bem claro, o filme é muito bom. Ele não é perfeito, mas está tudo lá, tudo no lugar certo. Se você gosta do universo de Harry Potter, leu os livros, viu os filmes, jogou os jogos e ou só fez um desses, você pode se levantar agora e dançar em volta do seu computador. Comemore, sério, vai e dança que eu espero!

É novo, é diferente, mas é familiar. É um mundo da magia fora do ambiente da escola, com personagens adultos, permitindo novos problemas, novos nuances, expandindo o mundo. Essa mudança de tom dá liberdade pra que esses filmes sejam outra coisa, pra que sejam a própria coisa. É o mesmo mundo, são as mesmas regras, mas, me repetindo sem qualquer vergonha, é diferente. Não é um parasita e ainda tem toda a pegada de primeiro capítulo, introduzindo personagens, abrindo e fechando conflitos, criando um problema que é proporcional ao início de uma nova jornada.

Seja você um fã da série, um fã de J. K. Rowling ou só uma pessoa buscando um filme de aventura divertido, assista tranquilo. Recomendadíssimo. Vale o seu tempo.

Sem querer ser um reclamão, apenas por que gosto dos livros dela, não consigo não achar uma pena não termos um livro com essa história, sabe? Um livro mesmo, daqueles bem escritos, com páginas e páginas de imersão como a dona Rowling sabe escrever. De qualquer forma, fico muito contente com o que foi entregue aqui.